Representante mineira no Miss Golden Brasil, Thatiane Ribeiro, de Uberlândia, chegou à final com o projeto ‘Flores do Rosário’
A cultura da Congada de Uberlândia ganhou espaço em uma das principais etapas do Miss Golden Brasil. Representante de Minas Gerais, a uberlandense Thatiane Ribeiro chegou à final do concurso nacional, realizada na terça-feira (6), em Guarulhos (SP), onde chegou com uma proposta que destaca suas raízes: o projeto sociocultural ‘Flores do Rosário’, dedicado ao resgate da história da Congada e das religiões de matriz africana.
O título nacional não veio desta vez, ficou com a indígena Runi Shanenawa, representante do Acre, mas a participação marcou a chegada de uma manifestação cultural profundamente ligada à história de Uberlândia a um espaço de visibilidade nacional.
A participação também representa a presença de uma mulher ligada à cultura popular em um espaço tradicionalmente associado aos concursos de beleza. O próprio Miss Golden Brasil se apresenta como um concurso sociocultural, com proposta de ampliar a representatividade e sem estabelecer limites de idade, peso ou outros critérios considerados excludentes.
Ao longo da preparação, as candidatas participaram de aulas, treinamentos, entrevistas com jurados, atividades de oratória, avaliações de disciplina, maquiagem, desfile e passarela, além de votação popular e busca por parcerias.
Para Thatiane, o caminho até a final foi resultado de meses de preparação, seletivas e etapas que envolveram não apenas beleza e passarela, mas também comunicação, disciplina, entrevistas, apresentação de projetos e posicionamento. A seleção começou com mais de 580 inscrições em todo o estado brasileiro, até que uma representante fosse definida para cada um deles.
“Foi muito intenso participar do Miss Golden Brasil, exigiu um nível alto de preparação e psicológico para que cada uma de nós representássemos nossos estados. Foram meses de muita renúncia e muita entrega”, conta Thatiane.
A escolha da Congada como eixo de sua participação não foi casual. Integrante da tradição, ela levou para o concurso uma pauta que considera importante para a preservação da memória e para o reconhecimento da comunidade congadeira. O ‘Flores do Rosário’ propõe ampliar a visibilidade da história da Congada e das religiões de matriz africana.
“Queria ter chegado mais longe. Porque levar a Congada foi a minha pauta desde o início. E pra nossa comunidade ia ser muito importante um reconhecimento nesse título, porque é resgate. Mas confesso que chegar até aqui já foi muito.”
Mais do que representar Minas Gerais em um concurso nacional, Thatiane buscou ocupar esse espaço sem deixar para trás a identidade que a levou até ele. Em uma das etapas da competição, as candidatas precisaram apresentar projetos capazes de gerar impacto social e cultural, reforçando a proposta do Miss Golden Brasil de trabalhar com representatividade e diversidade.
Ocupação dos espaços

O Miss Golden Brasil não se define apenas como um concurso de beleza, segundo os responsáveis, vai além da estética. É um concurso que valoriza mulheres reais, suas trajetórias, suas identidades e os projetos capazes de transformar suas comunidades.
Para Thatiane, o principal resultado no concurso vai além da classificação. É a possibilidade de fazer com que a Congada, suas mulheres, sua memória e sua ancestralidade ocupem novos espaços.
“Estar aqui é levar comigo a história da Congada, das nossas mulheres e das nossas raízes. Quero que outras mulheres possam olhar para esse espaço e entender que também podem estar nele, sem precisar deixar de lado quem são e de onde vieram.”
Para Uberlândia, a presença de Thatiane na etapa decisiva deixa como marca a valorização de uma tradição que atravessa gerações e ganha, por meio dela, uma nova vitrine para contar sua história.