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Juliana Iyafemí leva dança, capoeira Angola e cultura afro-brasileira a uma circulação internacional

A arte como movimento, memória e possibilidade de encontro. É por esse caminho que a multiartista mineira Juliana Iyafemí tem construí sua trajetória, conectando referências culturais do Nordeste e do Sudeste do Brasil em trabalhos que atravessam teatro, dança, cinema e produção cultural. Nascida em Araguari, ela é dançarina e coreógrafa, rapper e pesquisadora do corpo e essa vivência permite que incorpore diferentes simbolismos à sua criação, ampliando as formas de diálogo com o público.

Formada em Teatro pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 2012, Juliana está em circulação pela Europa com a turnê ‘Meu Palco Que Gira’ e atividades que incluem oficinas de capoeira Angola, samba de roda e a ‘Dança dos Afetos’. A jornada passa por diferentes cidades da Suíça, Itália, França e Portugal, levando práticas artísticas brasileiras a espaços de criação, formação e intercâmbio cultural.

A tour tem proporcionado à artista experiências de troca com diferentes públicos e contextos sociais. A capoeira Angola e o samba de roda, nesse percurso, funcionam como caminhos para compartilhar conhecimentos, histórias e formas de compreender a cultura brasileira.

Juliana está feliz com as experiências vividas na turnê, que termina neste sábado (3), com ‘Dança dos Afetos’ no palco de dança contemporânea na MJC Graulhet, uma associação de dança em Paris. Em tempo, a capital francesa proporcionou um dos momentos marcantes da turnê. Segundo Juliana, a passagem pelo 104 (Centquatre).

“Vivenciar o espaço da Centquatre, dançar um ensaio ali foi incrível. Esse antigo edifício já abrigou cavalos da Guarda Militar da cidade e hoje um centro cultural, um espaço que eu só tinha visto em filmes”, relata.

A experiência permitiu que ela ocupasse corporalmente um lugar que, até então, conhecia apenas por imagens. No espaço, diferentes pessoas e grupos se encontram para dançar e experimentar ritmos, dividindo áreas destinadas ao movimento. Essa experiência reforça uma dimensão importante da pesquisa da artista: o corpo como lugar de criação, mas também de convivência e descoberta.

A passagem pela França inclui ainda apresentações de capoeira Angola e novas possibilidades de intercâmbio. No sul do país, em Toulouse, a expectativa se voltou para a oficina ‘Dança dos Afetos’, proposta que aproxima a dança das relações construídas entre os participantes.

À direita, vivência e oficina de Juliana Iyafemí pela Itália, à direita, performance no 104 em Paris, França

Na Itália, Juliana Iyafem encontrou oportunidades para desenvolver seu trabalho no Mercurio Spazio, espaço dedicado à dança que, à época de sua passagem, havia sido inaugurado havia cerca de um ano. Na região da Toscana, também conduziu uma vivência de capoeira Angola e samba de roda, seguida de uma roda de conversa sobre a cultura brasileira e a afro-mineiridade.

As vivências abrem espaço para conversar sobre as raízes culturais dessas práticas, seus significados e as experiências sociais que as atravessam. Ao apresentar referências afro-brasileiras em outros territórios, Juliana também compartilha perspectivas construídas a partir de sua própria vivência artística e cultural.

A cultura afro-brasileira como linguagem de encontro

A pesquisa artística de Juliana reúne diferentes linguagens e manifestações populares, articulando referências tradicionais a procedimentos contemporâneos de criação. Em seu trabalho, a capoeira Angola e o samba de roda não aparecem isolados de seus contextos culturais: são práticas que carregam histórias, conhecimentos e modos de relação que podem ser compartilhados por meio do corpo.

Essa abordagem também se relaciona à trajetória interdisciplinar da artista, que transita entre teatro, dança e cinema. Em ‘Meu Palco Que Gira’ o título sugere uma criação atravessada pela ideia de movimento e transformação, em diálogo com a circulação de uma artista que leva suas referências a diferentes lugares e, ao mesmo tempo, encontra novas perspectivas a partir dessas experiências.

A dimensão coletiva ganha espaço nas oficinas e rodas de conversa, nas quais a troca não se limita à transmissão de conhecimentos. O encontro com participantes de outras culturas também permite que a artista observe as diferenças entre os contextos sociais e encontre novas maneiras de apresentar seu trabalho.

Ao percorrer países europeus, Juliana amplia a circulação de manifestações afro-brasileiras e mineiras, contribuindo para que elas sejam conhecidas e experimentadas em outros ambientes culturais. É um percurso que conecta a formação acadêmica, a pesquisa continuada e a vivência artística, sem separar a criação das relações humanas que a tornam possível.

Ao falar sobre essa jornada, a artista expressa a gratidão pelas oportunidades de compartilhar seu trabalho e estar em contato com diferentes públicos. Para ela, a circulação também se relaciona ao compromisso de fazer a arte chegar às pessoas. Como resume, ao citar outro artista mineiro: “A sensação é de gratidão por, como o mestre Milton nascimento diz, ‘o artista tem que estar onde o povo está’.”

Entre performances, oficinas e rodas de conversa, Juliana Iyafemí segue movimentando sua pesquisa e levando consigo referências que atravessam gerações. Em cada parada, a arte abre espaço para novas conexões e a cultura afro-brasileira encontra outros corpos, territórios e formas de continuar em movimento. Prestes a voltar para casa, ela traz na bagagem tudo que essa vivência proporcionou.

“Apesar das grandes diferenças nos recortes sociais desses países pelos quais estou passando com o Brasil, fui muito bem recebida. Muita correria, uma loucura, mas que vale muito”.

Foto da capa: Juliana Iyafemí por Doo Fotografia

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