Documentário ‘O Som e o Eco’ é lançado em Uberlândia
Como você recriaria um festival de 1972, sobre o qual nenhum registro audiovisual foi encontrado? Contrataria um profissional para criar um prompt incrível e um profissional de IA para recriar as cenas? Para o bem da memória cultural da cena dos festivais de Uberlândia Lu de Laurentiz e Cristiano Barbosa decidiram por uma produção orgânica, à moda antiga, com base em documentos, escutas e muita pesquisa.
O resultado é entregue no documentário ‘O Som e o Eco’ (O Sopro do Tempo), idealizado pelo professor e agitador cultural Lu e pelo diretor e produtor de cinema Cristiano. A primeira exibição será nesta quarta-feira (2), no Cineteatro Nininha Rocha. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados pela plataforma Sympla.
Para quem não puder assistir hoje, outras quatro exibições serão realizadas ao longo do mês, todas em equipamentos públicos e com entrada gratuita. O projeto foi viabilizado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Pmic).

O caminho até aqui
Mais de 50 anos depois de Uberlândia receber um festival que reuniu O Terço, Os Mutantes, Serguei, Sá, Rodrix & Guarabyra e Tim Maia, o documentário ‘O Som e o Eco’ revisita a ‘Feira Livre do Som’, realizada em dezembro de 1972, no UTC, para investigar o que restou, e principalmente o que ainda reverbera, daquele momento na memória cultural da cidade.
O filme parte de uma constatação que também orienta uma pesquisa de Lu, professor da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design da Universidade Federal de Uberlândia: não foram localizados registros audiovisuais ou sonoros do evento de 1972, no UTC. Por isso, a reconstrução da história acontece, portanto, a partir de documentos, imagens, pesquisas e das memórias associadas ao período, cruzando passado e presente.
Realizado no período de ditadura militar, o festival remete a uma época período marcada pela tensão entre o discurso oficial de otimismo e desenvolvimento do país e a efervescência da contracultura. Em Uberlândia, essa movimentação encontrou espaço para manifestações que aproximavam música, teatro, dança e outras linguagens artísticas.
Para estabelecer esse diálogo entre diferentes gerações, o documentário acompanha cinco artistas da cena independente de Uberlândia, convidados a interpretar livremente músicas do repertório dos artistas que participaram da Feira Livre do Som. A proposta não é reproduzir o festival de 1972, mas criar novas leituras para um repertório que atravessou o tempo.
Em setembro de 2025, Alessandro Terras Altas canta Serguei, Cachalote Fuzz revisita O Terço, Maria Dias interpreta Os Mutantes, Duo Country representa Sá, Rodrix & Guarabyra e Vaine homenageia Tim Maia. Cada um fez um pocket show no Espaço Überbrau. A plateia da atualidade foi um presente à parte para os realizadores.
Ao entrar no espaço de shows, a atmosfera não era mais que Inebriante. Era possível encontrar pessoas de gerações diferentes compartilhando o mesmo amor e fascínio pela música, pela arte, pela contracultura e os realizadores agora dividem isso com mais pessoas por meio desse documentário.
A pesquisa histórica assinada por Lu de Laurentiz, que estudou o festival e o contexto cultural do período em seu pós-doutorado em História pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), ultrapassa, mesmo, os muros da Academia.
A Feira Livre do Som integrou um circuito de festivais que ganhou força no início da década de 1970 e colocou cidades fora dos grandes centros no percurso de artistas e novas sonoridades da música brasileira. Mais de 50 anos depois, “O Som e o Eco” usa essa história para refletir também sobre a permanência da produção cultural independente em Uberlândia.

SERVIÇO
Lançamento: Documentário ‘O Som e o Eco’
Quando: 2 de setembro, às 19h30
Onde: Cineteatro Nininha Rocha (Centro Municipal de Cultura)
Entrada: gratuita
Ingressos: retirada antecipada pelo Sympla
PRÓXIMAS SESSÕES
10/09, às 19h30 — CEU Shopping Park
18/09, às 20h30 — Cine UFU
26/09, às 15h — MuNA
30/09, às 19h30 — Graça do Axé
FICHA TÉCNICA
Direção: Cristiano Barbosa e Lu de Laurentiz
Roteiro: Cristiano Barbosa e Lu de Laurentiz
Pesquisa histórica: Lu de Laurentiz
Direção de Fotografia: Roberto Chacur
Som Direto: Nemer Castro
Direção de Arte: Eduardo Bernardt
Consultoria conceitual à Direção de Arte Digital: Lu de Laurentiz
Pesquisa iconográfica: Eduardo Bernardt e Lu de Laurentiz
Roteiro de Montagem: Cristiano Barbosa e Lu de Laurentiz
Montagem: Cristiano Barbosa e Eduardo Bernardt
Edição: Eduardo Bernardt
Produção: O Sopro do Tempo
Assessoria de Imprensa: Adreana Oliveira
Foto da capa: Duo Country interpreta Sá, Rodrix e Guarabyra (Roberto Chacur)