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Temporada de ‘Abracadabra’ em Uberlândia traz um pouco da Broadway para a arte circense mas conquista pelo carisma de artistas que brilham ao lado de Dedé Santana e Diego Hypólito

“Abracadabra”. No dicionário, “uma palavra cabalística a que os antigos atribuíam a virtude de curar moléstias”. Uma palavra que remete ao encantamento, a uma ação cumprida, ao modo como vemos a vida. Os significados são muitos assim como as interpretações e claro, neste ano tornou-se um dos maiores hits da música pop com Lady Gaga.

Mas esta reportagem é sobre “Abracadabra”, o espetáculo do Reder Circus, que estreou com casa cheia na noite de sexta-feira, 12 de setembro, em Uberlândia, onde segue em temporada por mais algumas semanas (confira dias, horários e valores abaixo).

Nessa produção o empresário Frederico Render, sócio-fundador da produtora Brain+ e um apaixonado pelas artes definido por Jô Soares como “operário do teatro”, reuniu dois talentos brasileiros que são referência em suas áreas. O ator e humorista, eterno Trapalhão, Dedé Santana, e o ginasta campeão olímpico Diego Hypólito. Com um grande elenco, eles convidam o público a se desconectar de tudo que está do lado de fora da lona por pouco mais de duas horas.

Diego Hypólito, além de ser o mestre de cerimônias, tem uma performance no espetáculo (Divulgação)


“Podemos todos voltar a ser criança agora”, diz na abertura o mestre de cerimônias Diego Hipólito. Aos 39 anos, o primeiro ginasta masculino da América do Sul a conquistar uma medalha olímpica (Rio, 2016, Prata no solo) mostra que tem jeito para o entretenimento. Além de presentear a audiência com um a performance maravilhosa de saltos, a conduz por momentos de emoção, quando compartilha um pouco de sua história.

“Tanto na ginástica quanto no circo, nunca foi sobre cair. Foi sempre sobre levantar. Estou muito feliz em estar com vocês aqui hoje. Eu sou Diego Hypólito: ginasta, artista circense – ex-BBB também – mas acima de tudo, um brasileiro”.

O menino que começou a treinar aos 7 anos de idade – cuja família já precisou de cesta-básica para viver e durante boa parte da sua trajetória na ginástica artística foi apoiado pelo Bolsa Atleta – é inspiração para jovens que como ele podem não ter grandes privilégios, mas têm sonhos gigantes. Afinal, sabemos que cada medalha, cada pódio, é precedido por muitas quedas.

A esse menino que Diego carrega no coração e na alma cabe a missão de introduzir ao respeitável público Dedé Santana! Ele surge reluzente em paletó de paetês e recebe os aplausos calorosos da audiência que conta com pessoas de todas as idades. Em um momento do espetáculo ele comentou:

“Eu vejo todas essas crianças me olhando, imagino elas pensando: ‘quem é esse cara’, aí encontrei um jeito de explicar: eu sou o Lucas Neto da geração dos seus pais’”, arrancando gargalhadas da plateia.
Diego foi cirúrgico no comentário seguinte:

“Lucas Neto que me desculpe, mas ele ainda vai ter que comer muito feijão pra chegar perto de um Dedé Santana”.

Dedé e Diego na estreia em Uberlândia (Adreana Oliveira)


Nascido em família circense, Dedé destaca alguns números da carreira: 4 mil episódios de programas de TV, o que deixou muita criança boquiaberta, mais de 60 filmes, várias peças de teatro, premiações importantes. “Mas tudo isso eu devo a vocês”, comentou ao agradecer com a humildade que só os grandes artistas atingem.

Em abril de 2026 Dedé Santana completará 90 anos de idade e vê-lo no palco ainda mostra vitalidade e um tremendo amor pelo fazer rir, inclusive da própria situação. “As pessoas olham pra mim e dizem, ‘nossa, como você está bem’. Eu conto que estou fazendo o que muitas mulheres fazem hoje em dia, harmonização facial”, brinca.

Ele conta ainda que conheceu Diego em uma gravação d´Os Trapalhões, programa no qual Dedé, Didi e os saudosos Mussum e Zacarias deixaram a marca uma marca eterna nos domingos a noite. “Eu estava tão emocionado que até errei o nome dele”, contou o humorista sobre o início dessa amizade que ficou pra vida toda e também confidenciou que toda vez que ouve a música de abertura de “Os Trapalhões” ela toca em seu coração.

Espetáculo valoriza o circo tradicional com interação e tecnologia a serviço do riso

A Kombi da Alegria leva Diego enquanto com Petit Gatão correndo atrás de Dedé (Adreana Oliveira)

A estrutura montada para o Reder Circus atrai os olhares de crianças e adultos. Tem roda gigante, carrossel, um cenário bucólico, com uma kombi na entrada bancos, figurinos entre os trailers de alimentação e bebida. E estreia é estreia, sempre tem algo para melhorar no próximo. A moça simpática do trailer de salgados se desculpa pela demora porque justo naquele dia uma das fritadeiras não funcionou, mas o sotaque carioca e o jeito doce dela não deixou ninguém chateado.

Ao acessar as cadeiras na plateia, vislumbramos vendedores com seus expositores. Tem pipoca, refrigerante, água, suco, algodão doce… Tem balões com luzinhas piscantes e brinquedos que soltam bolhas de sabão pelo ar. São tantos os sotaques, tantos os brazis ali presentes debaixo daquela lona. E tem espaço para estrangeiro também entre os mais de 50 artistas.

Mas após soarem as três campainhas abaixam as luzes e de repente o vendedor aparece ali no picadeiro. São malabaristas, acrobatas, motoqueiros, mágicos, bailarinos e bailarinas. A comunidade circense se sustenta disso, dessa multiplicidade de papéis que antes que liguem as luzes e sejam ovacionados pelas palmas, antes de brilharem no Globo da Morte ou no trapézio, estão entre as fileiras gerando um pouco mais de renda que vai alimentar também centenas de outros trabalhadores que fazem o espetáculo acontecer.


O circo musical tem uma banda ao vivo, que toda suspensa ao longo do espetáculo, cantores com vozes potentes e ótimos bailarinos. Os números são intercalados por esquetes. Nesta noite o palhaço Petit Gatão foi o segundo mestre de cerimônias. Em um dos momentos musicais, junto com Dedé, ele mexe com a memória afetiva dos mais velhos. “Papai, Eu Quero Me Casar” foi a música. E Petit Gatão fez a voz da filha, tantas vezes interprestada pelo querido Zacarias.

Dedé e Petit Gatão em número musical (Adreana Oliveira)

A letra é atualizada, assim como alguns momentos, como a presença de animais no palco, agora não mais reais, mas em gigantescas fantasias vestidas pelos artistas. Exceto a pomba branca do número mágico, ela é muito real, mas bem tratada, e pelo visto ama um carinho na cabeça.

Frederico Render aposta na palhaçaria clássica e no resgate da pureza das crianças e da criança que cada adulto carrega. Tem interação com a plateia, sempre e o “Abracadabra” do título do espetáculo quer dizer “o poder da palavra”, o seja, que tudo pode acontecer. Para ele, esse espetáculo traz um pouquinho de Broadway para o circo brasileiro.

A tecnologia audiovisual leva para o palco um mega telão de led de 100m2 e o equipamento de sonorização chega a uma tonelada, ao todo, só os cenários somam 10 toneladas. Mas tudo isso não faria sentido sem o humano, os artistas que fazem rir e os malabaristas que testam as condições cardíacas do público a cada novo número. Em material de divulgação para imprensa, Render declara:

Só o circo faz o impossível tornar-se possível. É a única manifestação cultural onde a língua não interfere porque, aqui, se fala com a alma.

DICAS DA REPÓRTER

Acesso do setor central (Adreana Oliveira)



Para quem vai se permitir prestigiar o espetáculo “Abracadabra”, é recomendável chegar entre 45 e 30 minutos para o início da sessão. Dessa forma é possível se familiarizar com o espaço, como saber a localização dos banheiros e os pontos mais legais para fazer aquela foto pro insta.

O espetáculo recebe muitas famílias, muitas crianças, vale a pena conversar com elas antes sobre um orçamento para a noite. Nem sempre será possível dar tudo que ela quer, mas nada que um cominado não resolva.

Durante o espetáculo cuide do seu lixo. O saquinho que vem a pipoca, por exemplo, pode ser usado para armazenar a própria embalagem, garrafinhas de água e suco, latinhas de refrigerante e outros itens. Você pode juntar tudo dentro dele e descartar em uma lixeira ao final do show.

Outro lembrete importante: como há um grande desgaste físico nas apresentações, o elenco e os números do espetáculo podem sofrer alterações ao longo da temporada, o que não gera prejuízo para audiência já que todos são devidamente qualificados.

Fazer rir é uma arte

Dedé Santana e grande elenco do Reder Circus (Divulgação)

“Esse é o melhor circo que eu já vi”. A julgar pela reação do público na estreia da temporada do espetáculo “Abracadabra”, do Render Circus, em Uberlândia, a afirmação da publicitária Maria Clara Pereira Moura, 20 anos, resume o sentimento após mais de duas horas de espetáculo. A opinião da jovem tem dois motivos: primeiro a estrutura em que está montado e circo e a segunda, o carisma de todo o elenco que compõe a talentosa trupe que recebe o público om o melhor dos sorrisos.

“Fiquei encantada com todos os números, além de rir bastante, o que não acontecia tanto nos outros que já fui”, declarou Maria Clara que assistiu o espetáculo ao lado da mãe. Juntas, ao final do espetáculo elas aguardavam na fila para autografar o livro “Dedé Santana – Eu e Meus Amigos Trapalhões”, pelo próprio Dedé.

Durante o autógrafo para a repórter, o artista brincou:

“Acabei de dizer pra elas, o ‘véi’ tá morto. Estou desde as 9 horas da manhã ensaiando e ainda não jantei hoje. Você acha que ainda tem lugar aberto ou será que já fechou tudo?” E com um largo sorriso cumprimentou o filho da repórter, agradeceu a presença e perguntou se gostamos do espetáculo. Acho que posso dizer que não gostamos, Dedé… nós amamos!

SERVIÇO

O QUE: espetáculo circense musical “Abracadabra”
QUEM: Reder Circus
ONDE: Av. Nicomedes Alves dos Santos, S/N, Gávea (em frente ao Parque Una)
SESSÕES: quintas e sextas-feiras às 20h | sábados às 16h e 19h | domingos às 15h e 18h
INGRESSOS: disponíveis no site Uhuu (com taxa de conveniência) ou na bilheteria do circo, sem taxa (sujeito a lotação)
CLASSIFICAÇÃO: Livre. Menores de 18 anos acompanhados dos pais ou responsáveis legais. Crianças de colo de até 1 ano e 11 meses de idade não pagam ingressos
DURAÇÃO: 2h e 15min aproximadamente (com intervalo)
ACESSIBILIDADE: sim
VALORES POR SETORES: bronze: R$ 30 (meia entrada) e R$ 60 (inteira) | bronze vip R$ 40 (meia entrada) e R$ 80 (inteira) | prata R$ 50 (meia entrada) e R$ 100 (inteira) | ouro R$ 70 (meia entrada) e R$ 140 (inteira) | ouro vip R$ 80 (meia entrada) e R$ 160 (inteira) | diamante R$ 120 (meia entrada) e R$ 240 (inteira)

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