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Sem registros sonoros, festival ‘Feira Livre do Som de Uberlândia’ ganha uma reedição 53 anos depois e vai virar documentário

No entretenimento atual, dificilmente é possível fazer algo sem que qualquer registro audiovisual seja feito: é um áudio enviado para um amigo via aplicativo de mensagens, é um vídeo que vai para as redes sociais para compartilhar com a turma, um drone passando pelo local. Mas há 53 anos o cenário era diferente. Em 9 de dezembro de 1973, Uberlândia recebeu a “Feira Livre do Som”, no Palácio dos Esportes, atual UTC. Entre as atrações, Mutantes, Tim Maia, Serguei, O Terço, Sá, Rodrix & Guarabyra e DJ Ademir.

O professor, pesquisador e agente cultural Lu de Laurentiz ficou sabendo do evento por anúncios na revista que o promoveu, a Rolling Stone, em sua primeira fase de publicação brasileira. Ele ficou interessado e foi atrás de qualquer registro da época. Nem um áudio. Nem um vídeo. Mas isso não o desmotivou da “missão” de contar a história desse momento que pode ter sido o precursor dos festivais alternativos da cidade. Junto com o diretor de cinema e também professor Cristiano Barbosa, ele resolver dar voz e vida à esse festival em pleno 2025!

Esse “crossover musical temporal” acontece no sábado (20) com a “Feira Livre do Som – 53 Anos Depois”, no Espaço Uberbrau, a partir das 20h, com entrada franca, com cinco cinco artistas contemporâneos de Uberlândia recriar esse momento histórico. O show marca o início das gravações do documentário “O Som e o Eco”, dirigido por Lu e Cristiano Barbosa.

SERVIÇO

O QUE: Feira Livre do Som – 53 Anos Depois
QUANDO: sábado, 20 de setembro
LOCAL: Espaço Uberbrau (Av. Espanha, 377, bairro Tibery)
HORÁRIO: 20h
ENTRADA: gratuita
CLASSIFICAÇÃO: Livre
MAIS INFORMAÇÕES: @o_som_e_o_eco
SHOWS: Alessandro Terras Altas | Cachalote Fuzz | Duo Country | Mari Dias | Vaine | Discotecagem: Merece Uma Agulha
INCENTIVO: PMIC – Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Uberlândia
PRODUÇÃO: O Sopro do Tempo e FAUeD-UFU
APOIO: LIS-UFSJ, UEMG (a ditadura em Minas Gerais) e Espaço Uberbrau
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Adreana Oliveira

Evento tem importância histórica na pesquisa de Laurentiz

Em 1972, Uberlândia tinha pouco mais de 124 mil habitantes e foi colocada no mapa dos grandes festivais de música do país, em um circuito que mesclava rock e MPB com a “Feira Livre do Som”. O evento local se somava ao movimento iniciado no verão de 1971, no pioneiro festival de Guarapari (ES). Segundo Lu, todos esses encontros ecoam o espírito dos megafestivais estrangeiros, como Woodstock (EUA), Ilha de Wight (Inglaterra) e Mar y Sol (Porto Rico), promovendo diversidade sonora e um ambiente de paz, amor e música.

O festival, realizado em plena efervescência da contracultura brasileira, foi tema do pós-doutorado de Lu em História, na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Os registros encontrados de 1972 são limitados a anúncios e publicações na própria Rolling Stone. Na pesquisa, Lu descobriu, por exemplo, que Rita Lee veio, mas não se apresentou com Os Mutantes.

Professor da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAUeD) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Lu de Laurentiz resgata esse marco da cultura local em parceria com Cris, responsável por produções como “Rock de Ubercity”, por meio da produtora O Sopro do Tempo. Juntos, assinam o roteiro do documentário “O Som e o Eco”, aprovado no Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC).

“Nosso objetivo é dar mais visibilidade à importância histórica desse festival na cidade, que desde 2005 está no mapa dos festivais independentes de música. O documentário é nossa forma de contar a história desse concerto e avaliar seus desdobramentos na cultura local e regional”, explica Lu.

Foram convidados artistas que dialogam com o espírito inquieto da geração de 1972: Alessandro Terras Altas canta Serguei, Cachalote Fuzz feat. Tagore revisita O Terço, Maria Dias interpreta Os Mutantes, Duo Country representa Sá, Rodrix & Guarabyra e Vaine homenageia Tim Maia. Cada um fará um pocket show com cinco músicas, incluindo a releitura do repertório histórico.

Merece Uma Agulha fará a ambientação da festa (Georgia Teixeira)

A ambientação sonora ficará por conta do projeto Merece Uma Agulha, de Marcus Tulius Morais, com discotecagem em vinil de clássicos lançados entre 1968 e 1974 — período que também será explorado no documentário.

“A dança era algo muito forte nessa época. Os shows eram uma convergência das artes da música, da dança e do teatro. Queremos convidar a todos para compartilharem desse crossover temporal com a gente. É só chegar”, finaliza Lu.

Foto da capa: Divulgação

Curadoria de 2025 mostra a diversidade e riqueza da música mineira

Alessandro Terras Altas (Rogério Tanaka)

ALESSANDRO TERRAS ALTAS: O mineiro Alessandro Terras Altas chegou para somar. Cantor, compositor e multiartista, tem canções que brotam das Minas Gerais, inspiradas pelo congado, pelas festas populares e pelo legado do Quilombo do Ambrósio. Com ele a música se torna uma experimentação viva, que se reinventa a cada apresentação, transformando o palco em território de memória, cena e canto com um som afrocentrado, político e afetivo. É um convite para um aquilombamento dançante e vibrante. Presente em várias trilhas de audiovisuais, em nosso festival ele trará também um sucesso de Serguei com uma leitura exclusiva. Alessandro será acompanhado pelos músicos: Cláudia Cardoso (backing vocal), Daniel Belze (bateira), Iago Neiva (baixo) e Lucas Almeida (guitarra).

Cachalote Fuzz (Divulgação)

CACHALOTE FUZZ: Formado em Uberlândia há 11 anos, a banda Cachalote Fuzz tem paixão pela música brasileira e toda a sua diversidade. Estão preparando álbum novo junto com o pernambucano Tagore, parceiro de longa data da banda, que também estará no palco. A Cachalote Fuzz vai levar um show imperdível para a Feira Livre do Som 2025 e além do repertório próprio será a representante d´O Terço, atração de 1975. A Cachalote é formada por Arthur Rodrigues (bateria), Marcelo Chiovato (guitarra), Rafael Vaz (baixo), Ricardo Salgado (teclado) e Tagore Suassuna (guitarra e voz).

Duo Country (Divulgação)

DUO COUNTRY: Formado em Uberlândia em 2021, o duo apresenta um espetáculo festivo e clássico, destacando o Country, Rockabilly, Blues & Jazz. Além de requisitados para shows em Uberlândia e região, já se apresentaram em festivais nacionais como Capital Moto Week (DF) e casas como Bolshoi Pub (GO), Gaz Burning (SP), entre outros. Além do trio brasileiro, o público pode esperar clássicos de Johnny Cash a JJ Cael, passando por Willie Nelson e Hank Williams, entre outros. Os fundadores do Duo Country, Iuri Resende (voz e violão) e Lukas Simon (voz e guitarra) terão o reforço de Vinicius Silva (bateria) e Lucas Oliveira (baixo acústico).

Mari Dias (Divulgação)

MARI DIAS: Desde 2016 Mari Dias vem trilhando seu caminho na música desde 2016, transitando entre as artes cênicas e as artes vocais. Começou na música na banda Santo Groove, que tinha um repertório que contemplava soul e black music brasileira e internacional. Reconhecida em Uberlândia pela voz marcante e potente, conquistou espaço em festivais locais. Na Feira Livre do Som 2025, Mari Dias vai lançar sua primeira música autoral: “Jacarandá Couraça”, uma composição de Alessandro Terras Altas, outra atração do festival. No mais, ela prepara um espetáculo em à inigualável banda Os Mutantes, reverenciando a irreverência e a liberdade criativa da Tropicália como inspiração para o diálogo entre passado e presente. Mari Dias cantará acompanhada por Lucas Almeida (guitarra e backing vocal), Iago Neiva (baixo e backing vocal), Daniel Belzer (bateria) e Mateus Morbeck (teclado/piano).

Vaine (Divulgação)

VAINE: O artista visual e rapper Vaine, nascido na zona leste de São Paulo, ele adotou Uberlândia como seu novo lar e foi aqui no Triângulo Mineiro que ele se tornou uma das principais vozes do rap autoral. Esse estilo que Vaine abraça desde a adolescência é uma ferramenta de autoestima e expressão diante de uma juventude marcada pelo racismo e pela insegurança. Vaine costuma dizer que não segue tendências, constrói caminhos. Ninguém melhor para representar Tim Maia! Vaine será acompanhado pela banda formada por Vinícius Guimarães (voz), José Vitor (DJ) , Lucas Paiva (Guitarra) e Helder Ribeiro (Teclado).

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