Aclamado por crítica e público, ‘Macacos’ é atração do festival Todos Em Cena com sessão única no Teatro Municipal de Uberlândia na segunda (22)
Clayton Nascimento, ator, negro, brasileiro. Ainda como aluno do curso de Teatro da Universidade de São Paulo (USP), ele começou a trabalhar na peça teatral “Macacos”, que alguns anos depois circularia pelo Brasil e por algumas cidades no exterior. Um espetáculo que vem da simplicidade e de uma luta que parece sem fim contra o racismo no país. Quase dez anos após sua estreia, o monólogo chega ao Teatro Municipal de Uberlândia, para a reta final do primeiro Festival de Inclusão e Diversidade do Triângulo Mineiro – “Todos em Cena” com a grandeza que essa iniciativa merece.
O “Todos em Cena” está ligado diretamente ao Uberlândia na Rota das Culturas e ao longo do mês de setembro tem possibilitado a artistas com talentos tão diversos como a cultura brasileira levarem sua arte para diferentes públicos, em diferentes espaços. Na segunda-feira (22), Clayton Nascimento sobre ao palco do Municipal com o monólogo que deu a ele o prêmio Shell de Melhor Ator de 2023, o mais jovem a recebê-lo até hoje.
“Macacos” traz para as artes cênicas histórias reais de um Brasil em que mães choram a perda dos filhos sem uma resposta da justiça. A história condutora é a de Terezinha Maria de Jesus, mãe de Eduardo de Jesus, morto na porta de casa, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em abril de 2015, com um tiro na cabeça. Ela tem uma participação especial na peça.
A sinopse do espetáculo detalha que a peça trata sobre episódios da História Geral do país, cita estatísticas sobre as mães e famílias de jovens negros presos ou executados. Além disso, a colonização é um eixo abordado para justificar como se chega aos dias de hoje. As questões levantadas por esse homem negro convidam o público a questionar o preconceito velado, e presente na estrutura social e na vida cotidiana do Brasil de 1500 até os dias de hoje. Os questionamentos desse homem negro convidam o público a pensar e debater sobre os preconceitos mascarados, que existem na estruturação e no cotidiano brasileiro.
O espetáculo ganhou o título de “Macacos” não por acaso, afinal, além da história de Eduardo de Jesus e tantos outros, aborda a estruturação do racismo e o apagamento das memórias e ancestralidades negras que estão enraizadas no país. Os relatos deste homem negro refletem sobre este ” adjetivo” que é o mais usado como xingamento ao povo negro no mundo.
A atuação de Clayton Nascimento foi vista na Europa, nos Estados Unidos e mesmo com a agenda em outros trabalhos na TV e em produções de streamings, o ator segue nos palcos brasileiros porque ainda há muito o que falar. A profundidade com que ele trata temas tão caros à população negra foi descrita pelo jornal “O Globo” como um “documento historiográfico e dramático”, refletindo a profundidade e a potência do espetáculo.
“Macacos” tem mais de 16 premiações, destacando entre elas o já citado Shell, APTR, APCA, e Deus Ateu de Teatro, o que faz desse espetáculo um marco da dramaturgia contemporânea brasileira. E para além dos palcos, um advogado que assistiu à peça foi o responsável por reabrir o caso de Eduardo de Jesus na justiça.
SERVIÇO

O QUE: espetáculo teatral “Macacos”
QUANDO: segunda, 22 de setembro
HORÁRIO: 19h
LOCAL: Teatro Municipal de Uberlândia (Av. Rondon Pacheco, 7.070, Tibery)
INGRESSOS: R$ 80 (inteira) R$ 40 (meia-entrada) e R$ 30 (cota popular) à venda no Mega Bilheteria (com taxa de conveniência) ou sem taxa de conveniência nos pontos físicos: Loja Inclusive Brechó (Av. Cesário Alvim, 396, Centro) e Escola Supera Ginástica Para o Cérebro (Av. Raulino Cotta Pacheco, 307, Osvaldo Rezende)
DURAÇÃO: 180 minutos
GÊNERO: Monólogo Teatral
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos
QUEM FAZ O ESPETÁCULO ACONTECER
Dramaturgia, Direção e Atuação: Clayton Nascimento | Produção: Cia do Sal | Direção: Alex Júnior | Direção Técnica e Iluminação: Danielle Meireles | Direção de Movimento: Aninha Miranda Spier | Participação Especial: Terezinha Maria de Jesus | Operação de Luz: Cyntia Monteiro e Lúcio Bragança Junior | Fotografia: Julieta Bacchin | Produção local: Uberlândia na Rota das Culturas – Carlos Guimarães e Maíra Pelizer | Assessoria de imprensa local: Cristiane Guimarães