Memória: relembre os primeiros shows solo de Eddie Vedder no Brasil
NOTA: Eddie Vedder voltará ao Brasil em novembro para o festival Best of Blues And Rock, depois de 12 anos de seus primeiros shows solo no país. Relembre como foram as apresentações de 6 e 7 de maio no Citibank Hall (Atual Vibra São Paulo). Texto originalmente publicado em 10 de maio de 2014 na coluna Novo Som, assinada por esta jornalista no extinto jornal Correio de Uberlândia.
Pelas ondas de um artista sem fronteiras
“Essa equipe trabalha comigo há 20 anos, o Glen também já vez outras turnês comigo e eles sabem que eu não estou brincando quando digo isso. Se nós fossemos os surfistas e vocês o oceano essa seria a melhor onda de nossas vidas”.
Essa foi uma das frases de Eddie Vedder para agradecer ao público que lotou o Citibank Hall, em São Paulo, na última quarta-feira, 7 de maio. Na noite anterior, ele havia tocado no mesmo local, mas, realmente, a plateia do dia 7 estava muito mais animada, claramente entusiasmada e grata por ter ali diante de si um músico sem fronteiras.
O frontman do Pearl Jam veio pela primeira vez com seu solo ao país onde a banda já tocou em três diferentes turnês. Em pouco mais de duas horas por noite e com mais de 30 músicas em cada setlist ele contemplou os discos solo – “Into the wild” (2007) e “Ukulele songs” (2011), claro, músicas da banda que o consagrou e covers de outros artistas admirados por ele. E nessa lista tem Beatles a Neil Young, de The Everly Brothers a Cat Power, passando por Bruce Springsteen, Bob Dylan, entre outros.
E ali ele era literalmente um contador de histórias. Falou sobre a experiência de estar na casa de Neil Young, que, segundo ele vive como na natureza selvagem e lá compôs “Driftin’, do Pearl Jam. Chamou um rapaz da plateia no dia 7 para cantar “Should I stay or should I go”, do Clash, e deixou a letra no pedestal do microfone para o Marcelo. Eddie é um cara legal.
Em um palco intimista, rodeado por instrumentos de corda – ukulele, guitarra, violão – um órgão, um pad de bateria e uma mala onde colocava algumas das folhas em que anotava o que queria dizer em português para o público, Eddie podia se sentir em casa. Com direito a esquecer trechos de letras e algumas notas de algumas músicas, voltar ao palco andando de skate e levar na esportiva algumas frases ditas pelos fãs, ele mostrou por que é um dos artistas mais carismáticos de um mundo rodeado de rock stars que se perdem no próprio ego.
“Tem um dia que a gente percebe que não vai viver para sempre. Você não tem isso quando tem 20 anos, nem quando tem 30 anos, mas eu garanto, que você vai perceber isso um dia. Por isso eu sou agradecido por ter um trabalho que me permite passar alguns dias no Brasil.”

A voz de Eddie Vedder ainda é sua principal marca. Em um momento emocionante já caminhando para o final do show de quarta-feira (6), ele e o cantor, ator e compositor irlandês Glen Hansard (que está em turnê com Eddie) foram até a frente do palco. Eddie pegou o ukulele e sem amplificadores e microfones eles cantaram “Sleepless nights”, do Everly Brothers, segundo Eddie, a primeira música que eles gravaram juntos “nos primeiros dez minutos em que se conheceram”.
Difícil conter as lágrimas num momento desses. Eddie, de certa forma, se redimiu da noite anterior. Quando chamou Glen ao palco para executar a mesma canção na terça-feira (6), ele se atrapalhou um pouco. “Eu provavelmente vou estragar essa, me perdoem, eu não vou ferrar com tudo amanhã”, disse Eddie.
Old School
“Don´t be a dick”, ou em uma tradução suavizada, “não seja um idiota”. Esse foi o recado da produção de Eddie Vedder, pedindo encarecidamente que não fotografassem com flash, ou mesmo sem, não filmassem e não gravassem o show. “Curtam esse show em tempo real. Não tem graça ver isso no celular de outra pessoa”, disse a mulher, que como todos da equipe usava jaleco branco. Os doutores do som de Eddie Vedder fizeram um bom trabalho. O som estava impecável. O cenário é simples, tem a cara do Eddie Vedder surfista.
Em “Hard sun”, que fechou as duas primeiras noites, o palco se ilumina com um horizonte azul ao fundo enquanto Eddie pega a guitarra e conta com Glen no violão e backing vocal. Nesse momento mais amplificadores são colocados no palco. Em um dia Eddie se joga no chão, no outro pula plugado. Mas na maior parte do tempo ele fica ali sentado. Toca gaita e violão, canta e brinca com seu público. Em momentos de músicas do “Into the wild”, que foi trilha do filme de mesmo nome dirigido por Sean Penn, a simulação de um céu estrelado e uma fogueira.
Você não vai ver um iPad com lembretes para Eddie no palco tão cedo. Ele ainda faz anotações em folhas sulfites, cadernos, e improvisa, com a tampa de uma cerveja e fita adesiva para grudá-la ao tênis, algo que vai acrescentar na percussão.
Recado pra Pete Townshend
Em 11 de novembro 2011 Eddie Vedder pediu para o público que estava no show em Porto Alegre cantar “Parabéns” para a esposa dele. Uma pessoa da equipe gravaria e enviaria a ela na mesma hora. Dessa vez, a audiência foi solicitada a mandar um “oi” para Pete Townshend, do The Who, autor de “I´m one”. “Conto até três e vocês dizem ‘hi, Pete’ e depois eu mando a gravação para ele.