O ator Caio Blat chega a Uberlândia em junho ao lado de Elias Andreato para apresentar o espetáculo ‘Per Bacco – Memórias do Vinho’. Serão duas sessões, nos dias 5 e 6 de junho, às 20h, no Teatro Municipal de Uberlândia. A peça é mais uma produção do projeto ‘Uberlândia na Rota das Culturas’. Em entrevista ao Uberground, Caio falou sobre a peça, os caminhos da carreira construída desde a infância e a busca atual por equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
Aos 45 anos – mais de 30 deles dedicados à arte da atuação – Caio sempre transitou entre televisão, cinema e teatro. Esse último, segundo ele, após o período da pandemia da Covid, e agora em uma era de Inteligência Artificial, se tornou ainda mais especial.
“Quanto mais opções de streaming e inteligência artificial aparecem, mais o teatro fica precioso. A presença humana fica cada vez mais especial”, explicou.
‘Memórias do Vinho’ estreou há três anos e já são três temporadas de sucesso, casa cheia a cada espetáculo. E muito disso se deve ao texto de Jandira Martini, com Maurício Guilherme. Caio Blat afirma que todo mundo se identifica com algum momento da produção. Jandira não conseguiu ver a estreia. A premiada autora e atriz faleceu em janeiro de 2024, após uma longa batalha contra um câncer de pulmão. Por isso, ‘Memórias do Vinho’ é uma grande homenagem à sua autora.
“A Jandira não viu o espetáculo pronto, mas fizemos uma leitura pra ela, no Teatro Vivo, em São Paulo. Ela estava na primeira fila e foi um momento muito bonito. Pouco tempo depois, infelizmente, a doença dela se agravou e ficamos com esse legado na mão e decidimos fazer dele uma grande homenagem a ela”, disse Caio.
Inicialmente, a montagem, dirigida por Elias Andreato, contava com Herson Capri contracenando com Caio Blat. Ele e Herson estavam filmando ‘Beleza Fatal’ quando conversaram sobre já emendar com algo no teatro e se apaixonaram pelo texto de Jandira.
Caio agora contracena com Elias, os dois personagens, pai e filho, se chamam Daniel e o reencontro deles após vários anos é o fio condutor da trama.
Caio Blat está feliz em reencontrar o público mineiro. Além de já ter se apresentado e participado de eventos em Uberlândia, ele tem um carinho especial por Uberaba.
“Durante muitos anos eu frequentei muito a cidade, para visitar Chico Xavier. Um ser humano que deixou um exemplo de solidariedade e amor”, lembrou o ator, que fez questão de estar presente no enterro do médium, em 2002.
SERVIÇO
O QUE: espetáculo teatral ‘Per Baco – Memórias do Vinho’ QUANDO: 5 e 6 de junho HORÁRIOS: 20h LOCAL: Teatro Municipal de Uberlândia (Av. Rondon Pacheco, 7070, Tibery) CLASSIFICAÇÃO: 12 anos DURAÇÃO: 70 minutos INGRESSOS: Setor Plateia: Meia-entrada (estudante, PCD e 60+): R$ 80 | Cliente Algar: R$ 120 | Inteira: R$ 160 | Setor Lateral – Promocional Cota Popular: R$ 50 ONDE COMPRAR: online, com taxa de conveniência, pelo site MegaBilheteria ou nos pontos fixos, sem taxa de conveniência na loja Inclusive Brechó (Av. Cesário Alvim, 396, Centro) e loja Rei do Quadro (Av. Afonso Pena,1660, Aparecida)
Identificação com o público
Em ‘Memórias do Vinho’ Daniel (Elias Andreato) e Daniel (Caio Blat), pai e filho, respectivamente, se reencontram após anos de afastamento. Em cena, os personagens enfrentam mágoas antigas, solidão e conflitos gerados por segredos familiares até então sigilosos.
“São dois homens muito amargurados, há muitos anos sem se falar. Eles perderam tudo e o que resta são vinhos raros de uma coleção chiquérrima. O reencontro vai revelando segredos da família de forma muito emocionante”, conta Caio.
Daniel, o filho, está com problemas financeiros, cheio de dívidas, e acredita que sua chance pode estar na indústria cinematográfica. Já Daniel, o pai, é engraçado e ranzinza. Em idade avançada, ele convive com a solidão e já começa a esquecer algumas coisas. Tudo que ele tem são os vinhos caros da coleção.
Escolhas
Caio Blat começou a trabalhar como ator em 1991, com um papel discreto em ‘Mundo da Lua’. Foi em 1994 que veio uma grande oportunidade em uma telenovela, ‘Éramos Seis’, na qual ele interpretou o jovem Carlos, papel que na fase adulta ficou com Jandir Ferrari. Já são mais de 80 produções audiovisuais com ele em séries, telenovelas, curtas e longa metragens.
O teatro, são mais de dez espetáculos e três com produtor e diretor. Ele contou que nem sempre a atuação foi seu porto seguro.
“Eu sempre tive um plano B. Fiz faculdade de Direito, de Psicologia porque a carreira na arte não era muito sólida. Mas tive a sorte que quando chegou a hora de escolher, por volta dos 19 anos, foi quando sai de São Paulo para trabalhar na Globo e consegui mais estabilidade, principalmente emocional”.
Hoje em dia, as escolhas que faz são motivadas principalmente pela equipe com quem vai trabalhar.
” como ator aos 9 anos de idade na telenovela também comentou sobre a relação atual com a profissão e as escolhas que faz na carreira. Segundo ele, o mais importante hoje são as pessoas envolvidas nos projetos e a possibilidade de manter uma rotina mais saudável. Tem que ser uma equipe boa, comprometida e que se sente feliz com o que faz. O ator está num ritmo mais tranquilo e isso faz com que eu tenha mais tempo ao lado do filho e curtir esses momentos de estar em casa.
Olho pra trás e vejo que conquistei muita coisa na carreira e hoje prezo pelo equilíbrio”.
Daniel e Daniel – Elias Andreato e Caio Blat em cena de ‘Memórias do Vinho’ (Nana Moraes)
‘MEMÓRIA DO VINHO’ QUEM FAZ O ESPETÁCULO ACONTECER
Autores: Jandira Martini e Maurício Guilherme | Direção: Elias Andreato | Assistente de Direção: Rodrigo Frampton | Cenário: Rebeca Oliveira | Contrarregra: Tico (Agilson dos Santos) | Figurino: Mari Chileni | Camareira: Gisele Pereira | Iluminação: Cleber Eli | Operação de Luz: Ian Bessa | Operação de Som: Eder Soares | Trilha Sonora: Elias Andreato | Fotos: Nana Moraes | Design e Identidade Visual: Rodolfo Rezende / Estúdio Tostex | Assessoria de Imprensa: Pombo Correio | Produção Executiva: Elisangela Monteiro | Direção de Produção: Fernando Cardoso e Roberto Monteiro | Realização: Mesa2 Produções | Produção Local: Uberlândia na Rota das Culturas | Carlos Guimarães e Maíra Pelizer | Assessoria de Imprensa Local: Cristiane Guimarães
Analógico e Digital
Caio Blat em fotografia de Ana Branco (Divulgação)
Ao refletir sobre sua geração, Caio observa as mudanças provocadas pela era digital e diz se sentir privilegiado por ter vivido uma infância distante das redes sociais.
“A gente brincava na rua, escrevia cartão-postal quando viajava, assinava jornal, chegava na porta de casa, sabe, isso hoje parece tão arcaico. Mas eu sou muito grato por viver essa transformação do analógico para o digital. Percebo que hoje existe uma pressão e uma exposição muito grandes”, comentou.
Em Família
Além de ‘Memórias do Vinho’, Caio Blat está em cartaz com outra peça, ‘Revolução Kafka‘. Nela, pela primeira vez, tem a oportunidade de contracenar com o primo, Ricardo Blat, que sempre foi uma referência artística para ele. Vaio assina a direção e a dramaturgia é do irmão, Rogério Blat.
“Tenho alternado projetos muito diferentes e estou muito feliz com essa fase. Estar no palco com o Ricardo é uma experiência incrível”, disse Caio que neste espetáculo homenageia um grande ídolo, Franz Kafka (1883-1924).
Mas isso é assunto para uma outra reportagem. Quem sabe, Caio não retornará aos palcos do Triângulo Mineiro em breve?